Subindo a régua

Subindo a régua

 Como os fornecedores de embalagens têm investido para agregar valor às marcas dos seus clientes num mercado que exige mais qualidade, segurança de fornecimento, sustentabilidade e que não quer pagar mais por isso:

Da correta garantia de estabilidade e conservação do produto, até o papel que exercem para atenção dos consumidores quando apresentam um design atraente e inovador, a embalagem (em todo o seu conjunto) pode ser um elemento definidor para o sucesso ou fracasso do produto. Por isso, para os fornecedores de embalagens, investir constantemente em equipamentos, expertise, novos materiais, tecnologias de produção e possibilidades de acabamento é de fundamental importância para ajudar seus clientes a garantirem a segurança do conteúdo do produto e da imagem da marca. É também crucial para diferenciar eles mesmos da concorrência cada vez mais forte dentro do próprio segmento. Bons fornecedores de embalagens existem aos borbotões no Brasil. Mas no contexto atual, isso já não serve de muita coisa. É preciso ir além na oferta de soluções diferentes de possibilidades de formas e acabamentos, na otimização do uso de materiais, nos aspectos de sustentabilidade... E claro que se espera tudo isso pagando o mesmo, ou, sempre que possível, um pouco menos do que se paga hoje.

Não é uma demanda nova. Mas ela vem se acentuando na medida em que os padrões da indústria sobem e que a competição na ponta obriga as empresas a segurarem todos os seus custos, o máximo possível, sob pena de enfrentarem a ira de consumidores com menos disponibilidade de recursos. Eles até aceitam que não podem pagar pelos mesmos produtos que compravam enquanto a situação lhes era mais favorável. Mas isso não significa que estejam dispostos a recuar demais nos seus critérios também.

Isso faz com que a pressão sobre a indústria cosmética vá sendo cascateada para toda a sua cadeia de valor, fazendo ainda mais carga sobre segmentos que, há tempos, já vem operando com margens pressionadas. A alternativa mais comum para os maiores fornecedores tem sido investir na modernização do parque fabril, melhorando processos e apostando em equipamentos que aumentem a produtividade, com setups rápidos e menor desperdício de material. 

A sucessão de eventos sanitários, políticos e afins que alimentaram a crise que enfrentamos desde 2020, fez com que muitas empresas do setor colocassem na espera projetos para modernização de seus complexos e aquisição de novos equipamentos. Mas outras empresas resolveram ir em direção oposta e acelerar seus investimentos. Foi o caso da AB Plast, fabricante catarinense de frascos e potes plásticos, que vem promovendo importantes investimentos de modernização, mesmo durante o período mais crítico da crise. O diretor comercial da empresa, Sidnei José Pereira, lembra que, no começo da pandemia, devido às incertezas, a empresa chegou a fazer planos de parar a fábrica temporariamente. Mas, a procura por álcool em gel e polivitamínicos fez com que o mercado de embalagens para sanitização se aquecessem muito. “Então houve toda aquela procura por embalagens plásticas, frascos, tampas e válvulas que faltavam no mercado naquele momento e, com isso, tivemos um super aquecimento do mercado. Foi assim que mantivemos a fábrica toda trabalhando mesmo nos períodos mais críticos da pandemia, abastecendo o mercado que era essencial. Isso fez com que nos sentíssemos prontos a fazer mais investimentos em produtividade e maquinário para abastecer as exigências do mercado”, explica o executivo.

Paralelamente, a empresa reforçou sua perseguição à diminuição de custos, a busca por melhorar a produtividade e aumentar a eficiência nas linhas. “Seguimos estes três caminhos e, assim, nos mantivemos saudáveis e fortes para fazer aportes em outras áreas. Sem esquecer os investimentos em inovação e sustentabilidade que é o principal pilar da empresa: produzir embalagens para o mercado de uma forma responsável, buscando sempre embalagens mais eficientes e com o menor impacto ao meio ambiente”, conta Sidnei.

Este também foi o caminho seguido pela C-Pack Creative Packaging, empresa líder na América Latina na produção de bisnagas plásticas para a indústria de cosméticos e que também tem base em Santa Catarina. Segundo André Michel Kehrwald, diretor de Inovação da empresa, quando a crise se instaurou, já havia um plano de investimento em curso e, apesar dos riscos, a decisão foi de seguir com ele. “Decidimos apostar, principalmente porque sempre acreditamos no Brasil. E também acreditamos na potencialidade de nossos clientes para se sobressair”, pontua. Kehrwald diz que a empresa entendeu que quando a crise passasse, haveria uma forte demanda. E foi o que realmente aconteceu. “Sabendo dessa forte demanda, levamos em conta que a oferta não seria tão grande, como também se provou verdadeiro”, lembra, explicando o motivo que levou a companhia a não abandonar os planos de investimentos. “As máquinas chegaram e nos permitiram oferta e capacidade maior do que tínhamos antes da crise, o que nos permitiu reagir muito rapidamente para atender a uma demanda maior”, emenda.

No gaúcho Grupo Box Print, uma das maiores gráficas de embalagem do mercado, o superintendente Comercial, Eduardo Petry, diz que a empresa segue investindo forte em todas as frentes que permitam agregar valor na relação com os clientes. “Exemplo disto foi nosso pioneirismo em produzir embalagens com acabamento Anti-Viral, indo de encontro ao bem-estar e saúde das pessoas”, conta Petry. De acordo com o executivo, foram muitos os investimentos da empresa em novos equipamentos e ampliações do parque fabril. “O maior objetivo destes investimentos é a busca da competitividade, reduções de prazo de entrega e o fato de cada vez mais agregar valor aos produtos de nossos clientes por meio das embalagens Box Print”, emenda.

Na AB Plast, os investimentos foram além do layout fabril e dos novos maquinários para ganhar eficiência e aumentar a produtividade. Sidnei acredita que já no início de 2022, a empresa deve dar o start à produção de embalagens na sua nova planta em Aparecida de Goiânia, pólo industrial de grande relevância para as indústrias de beleza e farmacêutica. “As obras de construção da nova planta estão na fase final e, a partir dela, devemos abastecer o principal mercado da indústria farmacêutica do Centro-Oeste”, antecipa. 

No caso da C-Pack o principal investimento recente foi a aquisição de uma tecnologia batizada de Flex, que é capaz de imprimir um filme impresso e, através de aderência por calor no tubo, envolvê-lo por completo, como se fosse uma rotulagem por extrusão. Isso dá a C-Pack uma capacidade de impressão até então muito difícil de ser alcançada nas linhas convencionais de confecção de tubos plásticos, permitindo agregar um valor estético até então inédito no mundo. Pode-se, por exemplo, produzir um tubo com efeito metalizado sem o uso de lâminas de alumínio. Ou seja, um material com efeito metalizado – um fator importante no setor de cosméticos, mas muito difícil de alcançar –, que agora pode ser alcançado a um custo mais acessível e que é totalmente reciclável. “Também é possível fazer uma extrusão do tubo com material reciclável, com o filme recobrindo as imperfeições desse material. Assim, agregamos valor ao produto. Afinal, o tubo é bonito e tem propriedades sustentáveis, sem comprometer a estética da embalagem”, pontua o diretor da C-Pack. “Dessa forma, acredito que conseguimos manter nosso desenvolvimento em plena crise e com uma tecnologia totalmente inovadora e disruptiva”, emenda Kehrwald, comemorando a inovação que deu à empresa um troféu no Prêmio ABRE de Embalagens com essa tecnologia, que também melhora a qualidade de impressão e o registro entre as imagens. O sistema Flex torna possível combinar no mesmo produto flexografia, serigrafia e ouros processos, permitindo a confecção de embalagens com melhor valor, acabamento e, esteticamente, mais bem resolvida para atender às necessidades do cliente

Expertise e Know How

Mas não basta investimento em maquinário e modernização de estrutura fabril sem qualificar o time para extrair o máximo desses investimentos. É o que acredita Eduardo Petry da Box Print. “A melhor forma de conquistar expertise e know how é através de treinamentos constantes e engajamento do time. A cada ano que passa, estamos dedicando mais horas de nossos colaboradores ao treinamento, isto vem tornando nossa equipe cada vez mais coesa e engajada. Implantamos um projeto de educação continuada, que tem permitido uma evolução de cada um como pessoa e profissional”.

No caso da AB Plast, o mais recente avanço nesse sentido foi tirar proveito do momento de afastamento social para investir no conhecimento de seus colaboradores e contratados. “Aproveitamos para incentivar nossos funcionários, equipe de engenharia, equipe de processos a buscar especialização. Nesse caso, se dá para encontrar algo positivo nessa tragédia toda é o fato de mostrar que é possível fazer reuniões online, participar de congressos e workshops sem sair de casa, realizar treinamentos de forma remota. Isso fez com que incentivassemos os funcionários a buscar essa especialização em cursos que viessem a trazer melhorias tanto para sua vida profissional quanto para a empresa também. Sempre focando na pessoa, na melhoria do bem-estar do funcionário e também no seu bem-estar profissional para ganhar melhorias para ganhar excelência e competitividade”, conta Sidnei. 

A companhia catarinense também realizou no período novos investimentos em patentes, que permitiram a empresa se diferenciar e aperfeiçoar o know how, trazendo embalagens inovadoras com um aspecto novo, exatamente no uso de plásticos e na reutilização de embalagens com material reciclável. “Nosso principal foco agora é pensar em novas formas de desenvolver soluções inovadoras, que vão demandar menos plástico e gerar menos impacto ambiental”, explica o diretor da AB Plast.

Na C-Pack, um dos principais investimentos em qualificação e melhoria se deu na área de gestão, particularmente no que a empresa chama de gestão por objetivo. “Temos um projeto chamado MPO (Managers Por Objetivos), onde todas as áreas da companhia têm metas focadas para melhorar os resultados, agregar mais valor aos clientes, seguindo os pilares de sustentabilidade, confiança e inovação. Assim, a empresa toda se move por objetivos e indicadores”, acredita o diretor de Inovação da empresa. Ela conta que esse movimento tem trazido um know how muito importante para a companhia e que os indicadores internos melhoraram absurdamente. “Uma coisa na qual temos nos aprofundado cada vez mais é na gestão mais voltada para o ESG, tema muito comentado no momento, mas com o qual a C-Pack já está comprometida há muito tempo”, reforça.

O executivo da C-Pack também chama atenção para a importância do investimento nas pessoas para alavancar a inovação. “São as pessoas que fazem a inovação. Não adianta você ter um equipamento e deixar de lado o básico, que é o profissional que opera a máquina. É ele que pode tirar sempre mais do que o equipamento pode dar. Temos em nosso setor de inovação um pessoal que trabalha diretamente com novas tendências, que observam tudo de novo no universo de embalagens no mundo e tenta trazer isso para dentro de nossa especialização em fornecimento de embalagens plásticas”, conclui.

Avanços também no atendimento

Todos esses investimentos realizados também caminham no sentido de permitir às empresas de embalagem oferecer mais flexibilidade e agilidade aos seus clientes. Isso tanto no que diz respeito à busca por novos materiais, a maior segmentação do portfólio e também que atenda de forma mais eficaz aos novos desafios de sustentabilidade e logística. “Conquistamos muitos avanços no que diz respeito à flexibilidade de atendimento das diferentes demandas dos clientes em prazos mais curtos”, diz Petry, da Box Print. Para isso, a empresa também apostou em novas ferramentas de trabalho dedicadas para agilizar processos de desenvolvimento e aprovações de embalagens. 

Falando em sustentabilidade, com consumidores cada vez mais exigentes no que diz respeito às práticas ambientais das marcas que consomem, até que ponto estes avanços na cadeia de embalagens colaboram para melhorar os indicadores ambientais das marcas? “Os avanços que vimos recentemente estão muito ligados ao processo produtivo. Você utilizar cada vez menos energia, menos material e menos mão de obra para se tornar mais produtivo e competitivo. Isso faz com que você consiga ter embalagens mais bem acabadas e melhores tecnicamente falando, para o uso no dia a dia do consumidor e no transporte e principalmente com o uso de material reciclado. Assim, as empresas ganham e o consumidor também”, conta Sidnei da AB Plast.

Segundo Eduardo Petry, a Box Print foi pioneira na Certificação FSC em 2005 e na Neutralização de Carbono. “Nossa empresa hoje é Certificada B Corp, uma das mais respeitadas certificações a nível global na atualidade. Essas certificações vêm de encontro com o que muitos de nossos clientes esperam de nós como parceiros estratégicos, gerando uma cadeia de fornecimento sustentável, regenerativa e que busca entregar a melhor embalagem para o mundo”, celebra o diretor da gráfica.

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